13.10.06

O CRISTÃO E O VOTO

Hoje, 01 de outubro de 2006, mais de 110 milhões de brasileiros estarão elegendo homens e mulheres que dirigirão nosso país nos próximos 4 anos. Veja quão grande é a nossa responsabilidade como cidadãos do Reino de Deus e da pátria humana. Como cristãos precisamos estar cônscios de nossa responsabilidade em participar ativamente em dos assuntos referentes à “Polis” (cidade), lutando assim pelos nossos direitos e deveres. Essa luta não nasce da política partidária em princípio, mas dessa consciência de cidadão a que me refiro. Enquanto batistas, cremos firmemente na separação entre igreja e estado e isso quer dizer que não existe um candidato oficial e até mesmo oficioso dos batistas, mas cada crente é livre para exercer sua cidadania de forma engajada e participativa, discernindo assim sobre os candidatos de sua escolha. A seguir orientamos os irmãos sobre alguns cuidados que devemos ter no exercício do direito de votar:
1. O verdadeiro político não possui propostas próprias. O verdadeiro político conduz propostas da comunidade que ele representa. Por isso, deve ser um homem da “Poli”, que se envolve constantemente (e não apenas no período eleitoral) com os problemas do bairro e da cidade.
2. Previna-se contra candidatos que prometem milagres do tipo “em dois meses asfaltarei o bairro inteiro”, ou ainda “aumentarei o salário mínimo para R$ 1.800 em 4 meses”. Falar coisas agradáveis é uma tática de muitos.
3. Tome cuidado contra candidatos que negociam “lotes” de votos com líderes comunitários ou religiosos, o que torna, muitas vezes, pastores em verdadeiros cabos eleitorais.
4. Previna-se contra candidatos evangélicos fanáticos que afirmam ter recebido revelações do céu ou apresentando-se como homem de Deus para resolver os problemas da nação.
5. Analise a história do político em quem você pretende votar. Alguns trocam de partido como quem troca de roupa. Falta de fidelidade partidária indica falta de postura ideológica consistente e, por conseguinte, falta de caráter: é aquele tipo do político que dança de acordo com a música do momento.
6. Rejeite candidatos que negociam o voto por uma cesta básica, tijolos, R$30,00, ou telhado. Você está cansado de saber que isso não dá certo, mas insiste em participar desse jogo.
7. Procure saber qual a base de sustentação do seu candidato. Que grupo está por trás dele? Muitos usam o discurso popular, mas ore pelo nosso país para que um dia sejamos mais igualitários e solidários, sobretudo para que o poder de Jesus Cristo possa transformar o Brasil! Tenha uma boa eleição!

11.8.06

ANÁTEMA EM JOSUÉ CAPÍTULO 6 E 7


O termo “anátema”, traduzido normalmente por “maldição” ou “maldito”, possui, na verdade, mais o sentido de “devotado” ou “entregue a”. No Antigo Testamento o “anátema” comportava a renúncia a todo o despojo de guerra oriundo do povo considerado ímpio, “devotando” ou “entregando a” Deus tudo o que fosse daquele povo, incluindo objetos, animais e pessoas , o que, em outras palavras, significava a sua destruição total. Esse é o sentido do texto de Josué 6:17, quando Josué orientou o povo sobre o tratamento dado a Jericó: “ A cidade será consagrada como anátema do Senhor...” Por isso, seria proibido a todo israelita tocar ou reter para si qualquer objeto pertencente àquele povo ímpio. A rigor era um ato religioso, uma regra da guerra santa, cumprindo uma ordem divina (Deut. 7:1-2) que se fosse desobedecida resultaria em uma punição. No texto, Acã esconde um manto babilônico, 200 moedas de prata e uma pequena barra de ouro (7:21). Digno de nota é que durante todo tempo em que Acã escondeu o anátema, a comunidade do povo de Deus sofreu por causa do sacrilégio deste único homem. Ao revelar o anátema, Acã foi punido severamente e a paz voltou ao meio da comunidade. Séculos depois de Josué, a narrativa do anátema serviu para reconstruir a consciência espiritual do povo de Deus que ainda continuava a se misturar com todo tipo de idolatria e corrupção próprias dos povos pagãos. A narrativa servia como um alerta para mostrar que tanto no passado quanto no presente as conseqüências para quem desobedece ao Senhor são materiais e históricas. Ainda hoje testemunhamos pessoas lidando com o anátema em diversas situações. O anátema atual representa uma ruptura com tudo aquilo que simbolizou a escravidão do velho homem aos poderes espirituais do pecado. Por exemplo, uma pessoa se converte da macumba e destrói imediatamente os ídolos e símbolos de sua devoção antiga e escravizante, sim, pois se ater a abrigações que lidam com sacrifícios de animais, flagelos humanos e misturas estranhas, sem dúvida, são retratos de escravidão e atraso espiritual. O anátema existe também quando escondemos cônjuge, parentes, pessoas e instituições, coisas que fazemos contra elas e que travam o nosso relacionamento. É o pecado sob as suas mais diversas formas de corrupção do ser humano. Davi dizia no Salmo 32 que enquanto guardava silêncio consumiam-se os seus ossos durante todo tempo. Pior é o que muitas vezes o nosso silêncio pode prejudicar não apenas a nós mesmos, mas também àqueles com quem convivemos e dizemos amar. Como não mais vivemos sob o espírito atrasado da Lei, a confissão do anátema nunca traz para nós conseqüências trágicas como a de Acã, mas a liberdade pelo poder da Graça perdoadora de Deus.

2.6.06

SENTIR DOR É BOM



O título desta reflexão pode assustar e parece vindo de uma mente masoquista ou até mesmo sádica. De fato, ninguém gosta de sentir dor, seja ela física, emocional ou espiritual. Tem dor pior que a dor de dente? Ela traz, por tabela, dor de cabeça, dor no olho e irritação. Curiosamente, existe uma criança entre 400.000, que nasce com uma enfermidade rara, chamada “desautonomia familiar”, doença essa que atinge o sistema nervoso autônomo e que se caracteriza pela total ausência de dor, ou seja, a pessoa perde todas as sensações. Pode se cortar, se queimar, quebrar a perna e não sentir dor. Ótimo, não é mesmo?? Na verdade, isso é grave, pois pessoas assim morrerão com infecções internas, sem sentir os sintomas de dor. Só se percebe a gravidade de sua enfermidade tarde demais. O rabino Harold Kushner, em seu livro “Quando Coisas Ruins Acontecem às Pessoas Boas” (Ed. Nobel, 1981), reflete sobre a necessidade de sentirmos dor; não que seja ótimo sentir dor, mas a dor é um aviso que o organismo humano envia para nos lembrar de que alguma coisa não está indo bem e que precisa ser regularizado. É uma oportunidade para revisarmos nossa saúde. Outras vezes a dor vem em virtude de esforços que fazemos superiores àqueles que podemos suportar. Para Kushner, “a vida seria perigosa, talvez impraticável, se não pudéssemos sentir dor” (p.67). A dor, seja ela física, emocional ou espiritual, é um custo de nossa existência humana. A leitura do livro de jó deixa um sentido que não podemos explicar conveniente sobre a origem e o porquê de determinadas experiências dolorosas, mesmo que num âmbito geral, com o pecado do casal no Éden, o sofrimento se tornou uma marca do ser humano. Não creio em um Deus que fica sentado em seu trono de Gloria, enviando dores para nos punir ou nos testar, como se fôssemos marionetes em suas mãos. Mas, sei que posso crescer e me tornar mais humano à medida que enfrento algumas experiências dolorosas, podendo assim trabalhar alguns aspectos de minha vida, moldados a partir de um novo momento. Não é a “causa” da dor, mas o seu “efeito” que pode trazer algum sentido à nossa vida. As coisas acontecem, mas “Deus” faz com que todas concorram para o bem daqueles que o amam...” (Rom. 8:28). Compreendo-me assim como um “vaso de barro” rachado (II Co. 4:7), recipiente da graça de Deus, onde opera o Seu poder.

19.5.06

“O ASPECTO MATERNAL DE DEUS”


Quando eu era adolescente, ouvia Pepeu Gomes cantar: “Se Deus é menina e menino, sou masculino e feminino...” Aquilo sempre me angustiou, visto que um cantor popular usava a pessoa divina para defender a normalidade do homossexualismo a partir da assexualidade de Deus. A Bíblia sempre apresentou Deus como pai, dada à facilidade que o escritor sagrado tinha de passar os valores de Criação, providência, proteção e manutenção, típicos da figura paterna e própria da estrutura social patriarcal israelita.
Entretanto, se o pai provê no Antigo Testamento, que coloca a comida na boca do filhinho é a mãe. Existe um texto no Antigo Testamento, onde nós podemos enxergar o aspecto maternal de Deus, ressaltado por um profeta que não foi feliz em sua relação conjugal: o profeta Oséias. Ao mostrar a infidelidade do povo de Israel para com Deus e, não obstante, o amor e a misericórdia divina, ele o fez através de um gesto próprio de uma mãe, atribuído agora ao Senhor: Em Oséias 11:3-4, Deus é tratado como uma mãe que toma carinhosamente o filho em seus braços e o ensina a andar (v.3) e depois, “inclina-se para alimentá-lo” (v.4), num gesto maternal daquela que leva o peito ao bebê deitado na cama. É o gesto de ir até ele e não esperar que ele venha até a sua mãe. É assim que Deus faz com seu povo. Apesar de tudo, Deus se “inclina” para dar o alimento salvador aos seus filhos.
Essa dependência afetiva que o menino tem de sua mãe desde quando foi formado no ventre, o perseguirá para o resto de sua vida. Gosto de citar que as lembranças que eu tenho dos meus sentimentos de insegurança e de medo, quando criancinha, estão sempre relacionados a minha mãe. Chorando no berço, ou querendo a mamadeira, com medo das “caretas” durante o carnaval, ou ainda, durante a noite, com a necessidade de estar aquecido pela sua presença ao meu lado, roubando, muitas vezes a primazia que o meu pai tinha de estar deitado do lado dela. Me sentia confortado apenas com a sua presença pois “sabia”, ainda que inconscientemente, que sua presença significava que o meu medo de estar sozinho, a insegurança do berço “molhado”, a fome de leite, tudo isso seria resolvido por ela. É esse aspecto que Oséias quer ressaltar, o da maternidade de Deus que acaricia, aquece, protege, alimenta e ensina os seus filhos queridos a andar.

12.5.06

PARABÉNS, "MULHERES DE ROCHA"!!

“Mulher virtuosa, quem a achará?”(Pv.31:10)

Sempre fiquei intrigado com essa pergunta sobre a mulher. Por quê seria tão difícil encontrar uma mulher virtuosa no Antigo Testamento, se encontramos hoje muitas mulheres virtuosas? O termo no original hebraico é “Hayil” que significa literalmente “rocha”, “fortaleza”, “dureza”, “posse”. Esse substantivo, por sua vez, vem de um verbo que traz o sentido de “contorcer-se”, “ter dores de parto. Segundo o Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento (p. 626) quando atribuído à mulher, o termo refere-se a uma mulher que possui todos os atributos do seu equivalente masculino. Talvez o termo “virtuosa” aqui já não mais preencha o verdadeiro sentido do hebraico. Não é tão difícil encontrar uma mulher virtuosa, assim como também não é difícil encontrar homens de virtudes. Contudo, a palavra no hebraico bem poderia ser traduzida como “Mulher de rocha, quem a achará?” Observa-se que essa mulher de Provérbios 31 dirige a casa, acorda antes de seu marido e põe ordens às servas, providencia roupa para a sua família, tecendo a lã, além de produzir roupas para vender, providencia lâmpadas para sua casa, negocia um terreno e compra-o, tem um poder de comunicação em suas palavras. O seu marido é uma pessoa apagada no texto. Dele se diz que está tranqüilo com a mulher que tem. Na verdade ele é um juiz (v.23) e é conhecido entre os seus colegas como “o marido da mulher de rocha”. Longe de ser uma depreciação da imagem da mulher no Antigo Testamento, o texto exalta a figura feminina, revelando aspectos de liderança da mulher na sociedade do AT, desprezados pela tradição farisaica da época do Novo Testamento. Hoje ainda encontramos muitas “mulheres de rocha”. São aquelas, cuja figura masculina foi apagada desde cedo de suas vidas, quer pela morte, quer pelo divórcio, quer pelo abandono. Elas tiveram de assumir o papel de pai e de mãe no lar e todas as conseqüências financeiras e emocionais dessa circunstância. Tornaram-se calejadas pela dureza da vida, mas nem por isso deixaram de serem mulheres. Elas estão no sertão, em meio à seca, bem como na cidade, dentro de um escritório. Outras estão em casa, outras nas ruas, de noite. Creio que cada um de nós podemos achar essa mulher de rocha. Ela pode estar mais perto do que imaginamos. Tenham todas as mães um dia todo especial...e também as futuras mamães !

5.5.06

EXEGESE EM GÊNESIS 2:18

1- TRADUÇÃO AO PÉ-DA-LETRA:

“E disse Y’haweh Deus: Não é bom estar (ser) o ser humano somente ele; eu farei para ele um socorro como diante (do outro lado) dele “.

2- TRADUÇÃO TRABALHADA:

“E disse o Senhor Deus: Não é bom o homem estar só. Far-lhe-ei um(a) ajudador(a) que esteja diante dele “.

3- COMENTÁRIO:

3.1 “Não é bom o homem estar só” – É interessante que quem descobre a solidão do ser humano não é o próprio ser humano, mas Deus. Vemos aqui um dos motivos porque Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Num primeiro momento a criação do homem pode significar que Deus mesmo quis se ver no ser humano, mas ele sabe que o ser humano precisará viver não apenas no nível de “adoração” , mas também de “comunhão” (horizontal e verticalmente).

3.2 “...far-lhe-ei um(a) ajudador(a) ...” – Na narrativa quando Deus viu que não era bom para o ser humano estar sozinho, ele não decidiu logo criar uma “fêmea” ou “mulher”, mas alguém parecido com o ADAM para que ficasse defronte dele, numa situação de “auxílio” , “socorro” , ou seja, para dar sentido ao ADAM. Sozinho, o ser humano não é completo. O verso 19 revela que o primeiro método de Deus para resolver esse problema não foi formando a mulher, mas, modelando com o barro todos os animais domésticos e selvagens, fazendo-os passar diante do ADAM para que este, ao dar-lhes nomes, os conceituasse para si mesmo. O verso 20 mostra que apesar de todo o esforço do homem, este não conseguia encontrar alguém parecido com ele. É então que Deus decide criar alguém que seja parte do próprio ADAM, de sua própria carne e osso, a mulher, fêmea que lhe completa e lhe dá sentido. A maneira como muitos têm usado o termo “ajudador(a)” com relação à mulher é, por demais, depreciativa, dando um sentido que a mulher é subalterna, por ser ajudadora do homem. Na verdade, quem socorre, como o Senhor no Salmo 121, está, na maioria das vezes, em situação de força em relação a quem é auxiliado.

3.3 “Diante dele” – A situação original da mulher é de paridade, de estar do outro lado do homem, diante dele, como espelho e como esteio. Sem ela o homem é simplesmente “ser humano só” , mas nunca um vyai (‘ISH) ”homem” , nunca inferior nem superior à sua mulher, a qual nunca lhe é superior ou inferior. Essa situação só foi alterada pela queda do ser humano em Gênesis 3:12-19, quando todos os elementos envolvidos na desobediência receberam conseqüências nefastas para suas vidas.


4-TESE: A criação do ser humano, como maravilhoso dom de Deus permite ao homem viver em plena harmonia com o seu Criador e com o seu próximo, numa relação de comunhão e de interação. O pecado destrói essa condição imprimindo ao homem o desejo de ser Deus e de estar acima do outro, tornando-se senhor deste, mas trazendo conseqüências de desintegração do ser em relação a Deus e em relação ao seu próximo.

5-RELEITURA 1 - O NOVO TESTAMENTO – Do que se pode extrair do contexto (vv.22-24), onde o “Adam” (ser humano) encontra a sua realização plena na condição de homem e mulher, unidos pela experiência conjugal, percebe-se na leitura do Novo Testamento uma convergência para esse princípio. Jesus criticou duramente a interpretação casuística do divórcio (Mt.19 comparado a Deut.24) que em seu tempo era manipulado pelos interesses dos escribas e fariseus, principalmente na atenuante do famoso rabino Hillel. Alude ao texto do Gênesis colocando a dignidade da mulher no topo a partir do ponto de vista da responsabilidade mútua da manutenção da relação conjugal. Paulo, em Efésios 5:31, lembra o aspecto da moral doméstica e do grande amor que o marido deve Ter para com sua esposa como paradigma para o mistério do amor de Cristo para com a sua igreja. O mesmo Paulo em I Coríntios 6:16 usa o texto de Gênesis para alertar os crentes contra a prostituição pois quem se prostitui torna-se em uma só carne com a prostituta. Observa-se ainda uma influência que Paulo recebeu da tradição rabínica no que diz respeito à primazia do homem em relação à mulher pelo fato dela Ter sido formada a partir do Adam, principalmente nas orientações para que as mulheres não utilizassem a palavra de autoridade sobre o homem ( I Coríntios 11:8-9 e I Timóteo 2:13).

6-RELEITURA 2 – O TEMPO QUE SE CHAMA “HOJE” – O texto de Gênesis 2:18 tem sido utilizado de forma ingênua e, muitas vezes, preconceituosa. Alega-se que a mulher é “ajudadora” do marido no sentido pejorativo, ou seja, como se fosse inferior a ele. A exegese do texto mostrou o elevado papel da criação da mulher. O “Adam” só se tornou verdadeiramente homem na medida em que Deus colocou em sua frente alguém parecido com ele pois dele fora tirado, redimindo-o assim de sua situação de “ser só” . Foi o pecado quem quebrou essa relação de harmonia, ensinando ao homem o querer estar acima do outro, como se Deus fosse. Num tempo onde ainda se alude a Efésios 5:22 com fins puramente machistas, bem que poder-se-ia ler o versículo 21 desse mesmo capítulo onde a submissão é um ato mútuo e motivado pelo amor.

28.4.06

PÁSCOA E LIBERDADE

A Páscoa não é em princípio uma festa cristã. Na verdade tornou-se uma festa cristã. Em sua origem é uma festa judaica, cujo termo em hebraico é “Pessach” , que quer dizer “passagem”. Por volta de 1.400 anos antes de Cristo os hebreus sofriam amargamente a dureza da escravidão no Egito quando Moisés, orientado por Deus, foi ao Faraó para pedir que ele deixasse o povo ir livre para a terra de Israel. Como Faraó se negou a libertá-los, Deus enviou 10 pragas ao Egito que se manifestaram através de catástrofes na natureza de um país como o Egito que era tão fértil e progressista. As pragas são, na verdade, uma espécie de ridicularização aos deuses egípcios, simbolizados por seres da natureza. É uma tácita declaração do poder do único e soberano Senhor. Diante das nove primeiras Faraó endureceu seu coração e não deixou o povo ir. Mas, diante da décima praga, ele não resistiu e deixou o povo sair do Egito. Essa décima praga foi uma peste que matou os filhos primogênitos dos egípcios visto que os dos hebreus foram poupados porque em suas casas havia nos umbrais das portas uma mancha de sangue do cordeiro que purifica os pecados. O texto diz que o “anjo da morte passou” e visitou as casas dos egípcios, que não tinham a mancha em suas portas, matando os primogênitos. Daí o termo “passagem”. O golpe foi muito duro para Faraó que também perdeu seu filho primogênito, deixando assim o povo ir em liberdade. E é justamente essa liberdade que o povo judeu celebra hoje. Nada de coelhos, nada de chocolates, que se tornam símbolos da paganização da páscoa, tornando a festa mais comercial do que uma festa que venha a agregar valores de reflexão para aqueles que dela participam. Entretanto o coelho e o ovo possuem seus significados. O coelho, por ser um grande reprodutor, simboliza a capacidade do cristão gerar novos discípulos enquanto que o ovo simboliza a vida que desabrocha. Jesus Cristo, enquanto judeu, também celebrou a páscoa. Mas ele fez mais que celebrar, dando um novo sentido à festa. Em Jesus Cristo a Páscoa se torna uma festa cristã. Nele a morte dos primogênitos e a mancha de sangue do cordeiro se confundem para tornar as pessoas plenas de liberdade: libertas da iniquidade, libertas dos dogmas, libertas das opressões quer sejam de ordem política, social, econômica e espiritual. Agora, não mais pelo sangue de bodes e ovelhas, mas pelo sangue do cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, como disse João Batista, apontando para Jesus. É esse Jesus que sendo o filho unigênito de Deus derramou seu próprio sangue na cruz. Mas a páscoa cristã não se encerra com a morte de Jesus na cruz. A liberdade operada pela páscoa cristã encontra-se na ressurreição de Jesus, o que significa a vitória sobre a última barreira à liberdade plena: é a vitória sobre a morte. Portanto, a Páscoa deve sempre ser lembrada como uma festa que relembra ao povo a verdadeira liberdade, trazendo-nos esperança para sempre “marchar” (como o povo hebreu fez no deserto, após a libertação da escravidão) no rumo dessa liberdade que se conquista a cada dia, a cada passo no deserto de nossas vidas.


21.4.06

Sobre o salmo 23...um breve comentário!!
"O Senhor é o meu pastor...e não me faltará". Às vezes o "nada me faltará" parece mais uma garantia de que a prosperidade material sempre alcançará aquele que é fiel ao Senhor. Meu pouco conhecimento do hebraico bíblico me fez ver que a palavra "nada" (LÓ DAVAR) não seria adequada para traduzir fielmente o "LÓ ECHSAR" ("Não me faltará") existente no texto. Por outro lado, vestir a pele de ovelha (e não a do lobo...) nos faz sentir que tipo de sensação tem um animalzinho desse porte ao encontrar-se amparado pelo pastor, desde o aprisco até o pasto. Enquanto pastor, o Senhor nunca nos faltará naquilo em que nós ovelhas precisamos: pastos com grama bem verdinha (no meio dessas de vez em quando existem alguns capins secos....), agua (refrigério para alma-"goela" em hebraico), direção, consolo, disciplina, segurança para caminhar por caminhos de sombra de morte...Como pastor ele sabe do que eu, enquanto ovelha, preciso. Agora, pegar o Salmo 23 e dizer "Sou filho do rei, meu BMW está vindo aí..." é dose!! Creio que será melhor dizer "O Senhor é o meu pastor...de nada sinto falta...".